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Destaque na Groover: “Demise” – the lucky little red house


Sexta faixa do álbum FAKE YOU, do  projeto francês the lucky little red house, “Demise” é um mergulho na tensão que nunca se resolve. A banda pega a lição do Swans sobre crescendos longos e pacientes — repetição, textura, aperto — mas trai a expectativa: não há clímax. O que vem é um fade, um desaparecimento lento.


A faixa começa com guitarras espaçadas, quase cósmicas. Quando a voz entra, a coisa migra para uma tristeza pós-punk e avant-garde, mais perturbadora do que confortável. Aos poucos, surgem camadas de jazz alucinógeno e percussão imprevisível — tudo amarrado por uma performance vocal de narrativa cinematográfica.


Aos 2min30, a guitarra acelera de repente, empurrando a música para um território pesado, entre o doom e o post-rock. O som vira uma parede de tensão psicológica, destilando uma melancolia autodestrutiva. Mas o que define “Demise” é sua recusa à forma fixa: ela muda constantemente, mantendo o nó na garganta até o fim. E termina exatamente antes do colapso mental total, deixando você preso dentro de uma tensão que não nomeia nem resolve.


FAKE YOU, segundo a própria banda, não é um álbum para ouvir — é um estado para experienciar. E “Demise” é a arte de desaparecer sem nunca chegar lá.


Transitando pelo subterrâneo do noise-rock, the lucky little red house é, antes de tudo, um coletivo: formado como um projeto paralelo em 2018 por Luc Tironneau e mey0h, o grupo ganhou forma na tapeçaria instrumental sombria e desde então constrói uma discografia que habita o limiar entre a beleza e o colapso. Uma abordagem cinematográfica e opressiva, situada entre o post-rock, o industrial, o gótico e a psicodelia, capaz de evocar tanto a densidade ritualística de Swans quanto o vazio existencial de Joy Division.

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