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- "O novo sempre vem", diz fundador do Rec-Beat nos 30 anos do festival
Edição de 2026 traz presença eletrônica ao Cais da Alfândega Foto: Victor Jucá/Divulgação Luciano Nascimento Considerado como um dos principais polos de resistência cultural e de janela para a música independente e multicultural no país, o Festival Rec-Beat chega aos seus 30 anos mantendo vivas a vitalidade e inquietação que marcaram sua origem. Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-Beat construiu, ao longo de sua história, uma trajetória pautada pela diversidade, onde diferentes públicos, estéticas e gerações se encontram em meio ao frenesi das troças, do frevo e dos maracatus que agitam o Carnaval pernambucano. O Festival começou no sábado (14) gordo de Carnaval e vai até a terça-feira (17). Nesses dias, o Cais da Alfândega, no Recife, se transforma em um território onde a regra é a experimentação, já que o festival se consolidou como um espaço de descoberta e circulação de novas ideias musicais, unido pelo diálogo entre tradições e vanguardas. Entre os destaques desta edição , que faz um diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África, estão artistas como NandaTsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo e Jadsa, que se somam a feras como como Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro – que celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas, dividindo o show com Layse, nome emergente da cena paraense. Para falar um pouco sobre o festival, um catalisador cultural que conecta modernidade e ancestralidade, a Agência Brasil bateu um papo com o fundador do Rec-Beat, Gutie. Ele contou um pouco sobre a dinâmica do festival, seus causos e fez algumas observações sobre a cena dos festivais independentes no país. Festival Rec-Beat celebra 30 anos, com programação eletrônica no Cais da Alfândega - Foto: Ariel Martini / I Hate Flash Agência Brasil: Queria que você começasse falando dos 30 anos de Rec-Beat. Como o festival foi pensado para esse ano de comemoração? Gutie: Olha, a gente sempre tem esse desafio, de fazer o festival a cada ano. A gente, na verdade, manteve muito o conceito do festival. Uma das novidades que a gente está fazendo nesses 30 anos, além, evidentemente, de mexer no baú da memória, foi buscar muito da história do festival. Até foi uma coisa surpreendente, que a gente começou a encontrar muito conteúdo, começou até a gerar um conteúdo histórico do festival nas nossas redes. Está sendo bem interessante revisitar isso.Eu tinha uma ideia, já há algum tempo, que vinha acontecendo no festival, que é a presença eletrônica na nossa programação. Eu queria muito ter uma coisa mais focada ainda, trazendo DJs, tudo. Então, neste ano, eu concretizei uma ideia de criar um selo: é um evento mesmo que a gente quer dar continuidade, chamado Moritz.A gente abriu a primeira noite do festival com uma programação só voltada para DJs nacionais, locais e internacionais, e já com a perspectiva do Moritz se tornar também um evento autônomo com o tempo, podendo acontecer associado ao Rec-Beat e também pode acontecer de uma forma independente.Essa é uma, como eu te disse, é uma ideia que eu tinha alimentando já há um tempo, que a gente concretizou agora. E no mais, a gente manteve a ideia do festival da diversidade, de buscar relevância em todas as regiões do Brasil.E também a gente que vem fazendo há vários anos essa questão de olhar para a América Latina, para a África. Então, esse é o resultado da programação que a gente conseguiu montar nesses 30 anos. Agência Brasil: Você falou sobre manter a identidade do festival. Conta um pouquinho como foi essa ideia de criar o festival? Como surgiu? Gutie: O Rec-Beat nasceu naquele ambiente efervescente dos anos 90. No início dos anos 90, quando a gente teve aqui no Recife, todo aquele boom, que hoje é conhecido como Manguebeat, e eu vivia naquele ambiente. Então, os amigos, os lugares que a gente frequentava, era tudo compartilhado. A gente compartilhava muito esses espaços. E eu fiquei muito impactado, evidentemente, com o que estava acontecendo. Aí eu criei uma festa. E olha, eu era jornalista, não tinha nada. Era uma diversão mesmo. Eu criei uma festa com o nome Rec-Beat, em um casarão no centro histórico da cidade. Na verdade, era um puteiro que recebia marinheiros. Era o Francis Drinks, também conhecido como Adílias Place e eu comecei a fazer umas festas chamadas Rec-Beat. Aí surgiu uma oportunidade, eu mandei 12 bandas para São Paulo, para a [casa de shows] Aeroanta, pela época em 1993. Foi quando, meio que pode-se dizer que foi a edição zero do Rec-Beat, porque a gente reuniu lá 12 bandas na Aeroanta e foi impactante, assim, com uma repercussão muito grande. Aí eu comecei a perceber que, no carnaval, que eu gostava muito e frequentava Olinda. Na época, não tinha o carnaval no Recife, como tem hoje. Eu percebia que as pessoas tinham aquela curiosidade para entender que som era aquele que tanto se falava, né, que estava acontecendo no Recife, em Pernambuco. Onde estava aquele som. Então, eu criei um minifestival, que era o Rec-Beat, num centro histórico, no Centro Luiz Freire, que tinha um quintal. Ainda existe o espaço. E aí eu comecei a programar, durante o carnaval, as bandas. Ali a gente ficou com três edições, depois a gente recebeu um convite da prefeitura do Recife, para que a gente contribuísse para fomentar esse carnaval no bairro do Recife, que é o sítio histórico. Então, nos mudamos para o sítio histórico e aí o festival começou a crescer, foi ganhando outras proporções. O que antes era uma coisa muito para a cena local, a gente ampliou para a cena nacional, todas as regiões. A gente olhou muito para a produção do Pará, Bahia e outras regiões do Brasil. Também comecei a olhar para a América Latina, para o continente africano. Então, hoje o Rec-Beat é fruto dessa evolução de olhares. Eu acho que nós [do festival] temos um olhar bastante periférico, me interessa muito o que acontece nas periferias. Não só a periferia urbana aqui do Recife e de outras capitais do Brasil, mas a periferia mesmo de países, de regiões do mundo, do Sul global, aquilo que não está no centro, mas que a gente sabe que tem uma produção e uma proposta muito inovadora, muito impactante, que com o tempo acaba sendo adotada pela indústria. Porque eu entendo que os movimentos periféricos, em todos os sentidos, são determinantes para a construção de movimentos culturais que se tornam universais. Agência Brasil: É meio aquela imagem da antena parabólica fincada no mangue? Gutie: Eu acredito em muito disso, da diversidade, de encontros, de aquela coisa plural, de você ter a tradição com novas tendências, o eletrônico. Por isso, quando a gente fala de uma programação eletrônica, também sempre teve no DNA do festival, assim como a gente coloca um afoxé, um maracatu, ou uma coisa assim, como uma atração, como o Momi Maiga. Isso sempre esteve presente, desde o conceito do Manguebeat, a gente esteve presente muito na cultura brasileira, essa coisa da diversidade está presente no Rec-Beat, porque não tem como a gente não traduzir isso, né? Agência Brasil: É muito interessante o Rec-Beat acontecer no período do Carnaval, tem tudo a ver. Para algumas pessoas, no entanto, pode não parecer óbvio, pode parecer bem diferente realizar um festival no meio de uma festa de dia muito grande. Gutie: Olha, no início, rolavam mais estranhamentos do que hoje, sabe! As pessoas achavam que era um evento invasivo, mas aí foram percebendo que o Rec-Beat não é um evento anti-Carnaval, é bem pelo contrário. A nossa proposta se soma à diversidade do Carnaval, então a gente contribui com uma célula dentro dessa, de todas as propostas que o Carnaval apresenta. Eu acho até quem com o tempo, o Rec-Beat influenciou outros festivais fora daqui e também o Carnaval. Hoje, tem muitos palcos que emulam o Rec-Beat. A gente era um palco, mas com o tempo, a gente acabou, acredito, influenciando esse conceito, de palco, de shows . Eu gosto do Rec-Beat com palco, mas adoro também a tradição do Carnaval de rua, de chão, né? Com as troças, com os blocos, com as agremiações tradicionais. Isso, pra mim, é o verdadeiro Carnaval mesmo.A gente complementa, mas a gente não pode transformar o Carnaval em um grande palco. Agência Brasil: Vocês não estão disputando com o Carnaval. Tem um lugarzinho pra todo mundo e não é disputar com essa ideia do Carnaval, né? Gutie: Sim, eu gosto muito da coisa da tradição, sabe!? Do Carnaval como uma manifestação espontânea das pessoas. É isso que move o Carnaval. O Carnaval já é vivo, tem essa pujança no Brasil todo, é feito pelas pessoas. A gente dá essa contribuição, organiza um pouco a bagunça. A gente recebe, no nosso público, pessoas que vêm de Olinda, que vão para os blocos, para as troças e à noite vêm pro nosso palco. Ou seja, são pessoas integradas ao Carnaval, que estão curtindo o Carnaval. E também o nosso público se renovou muito, se renova. Então, nosso público é bem jovem, que mostra que o pessoal tem um frescor. Fundador do festival Rec-beat, Antonio Gutierrez, o Gutie - Foto: Victor Jucá/Divulgação Agência Brasil: O festival, então, dialoga com novas gerações, né? Gutie: Isso é legal porque você, de certa forma, cria o futuro. Você assegura o futuro quando você tem um público que ainda vai vivenciar muito, não só o Rec-Beat, mas o Carnaval como um todo. Agência Brasil: Falando em público, como é que você vê essa cena de festivais independentes? Gutie: Eu acompanho. A gente tem a Abrafin [Associação Brasileira de Festivais Independentes]. Eu faço parte de uma associação Ibero-Americana, chamada para Desenvolvimento da Indústria da Música Ibero-Americana. Eu frequento muito a convite de festivais e feiras de músicas nacionais e internacionais, faço curadoria. Agora mesmo eu faço parte de um comitê internacional de arte de um evento na Costa do Marfim, nada de Música. Já prestei curadoria no Tenerife, na Colômbia. Eu tenho esse olhar, assim, para todos os lados, acompanho os festivais. E nós vivemos, logo após o pandemia, um boom de festivais. E como toda bolha, acho que agora passou por uma acomodação. Acho que ficaram os festivais mais tradicionais, os que já são uma coisa bem estabelecida, inclusive aqui em Pernambuco. Mas os festivais como o Rec-Beat, que a gente chama de festival independente, têm uma certa dificuldade mesmo de se manter, porque os grandes festivais são meio predatórios, no sentido de atração de recursos. Você vê que uma empresa que poderia entrar em dez festivais pelo Brasil e joga todos os recursos em um só, mais midiático. Então os festivais têm essa dificuldade e o Rec-Beat também, porque é gratuito. Eu só lanço a programação quando a gente tem certeza que temos recursos para fazer. Então isso é outro desafio do festival e não só do Rec-Beat. A maioria dos festivais brasileiros que seguem essa trilha, inclusive os pagos, têm dificuldade. E no Nordeste também, porque existe uma cultura de investimento em patrocínio das empresas muito centralizada no Sudeste. Falta uma visão, acredito, de que existe uma riqueza cultural e propostas de eventos muito interessantes no Nordeste. Acho que passa muito também pela visão do marketing das empresas, das pessoas que estão à frente disso. Tem muita aposta no óbvio e o Rec-Beat não aposta no óbvio e outros festivais não são óbvios. E isso exige um pouco de sensibilidade, exige um pouco de entendimento, um pouco de esforço para quem decide os investimentos. A gente trabalha o ano todo para superar isso e para viabilizar o festival. A gente desenvolve projetos, lei de incentivo, editais, tudo que você imagina, a gente trabalha. A gente fica o ano todo articulando. Agência Brasil: Nesses 30 anos, qual foi o momento de maior perrengue? De desafio para que o festival acontecesse? Gutie: Olha, a gente teve um, acho que em 2015, quando teve aquele momento de impeachment da Dilma. O Brasil virou aquele caos. Veio uma onda na economia, que serviu como desculpa dos investidores. Ali a gente passou um momento difícil, sabe? Depois a gente foi se organizando e hoje a gente não depende apenas de um patrocínio. A gente tem a Prefeitura do Recife, que é nosso maior patrocinador, mas já temos também o Governo do Estado, através da Fundarpe [Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco], temos a Lei Rouanet, a Uninassau, que é uma universidade, o Banco do Nordeste do Brasil. Nós temos articulação com o Iber Músicas, que é uma instituição ibero-americana que financia a circulação de artistas. Nós temos o Consulado da Alemanha… então a gente articula em várias frentes. Então, o momento foi bem complicado nos anos 2015, 2016. Mas a gente também foi reagindo e mantendo o festival. Orgulho nosso é nunca ter falhado, a gente nunca deixou de acontecer, exceto na pandemia, foi apenas um ano. Então, nesse tempo todo o festival tem conseguido permanecer vibrante. Agência Brasil: Quais os momentos mais intensos do festival? A situação mais inusitada com artistas, com o público? Gutie: A gente teve o show de Mudhoney, quando o festival ocupava uma rua menor [a rua da Moeda]. A gente era considerado um festival pequeno e não tinha uma estrutura de segurança profissional, como nós temos hoje. Nesse dia, o povo conseguiu invadir muito o palco, subir no palco e coisa e tal, festejando com o Mudhoney. Na sequência, veio uma banda de punk rock , que é o Devotos, aí eu pensei: nossa, agora é que a galera vai derrubar esses troços aqui.Daí eu falei com o [vocalista] Canibal: "Canibal, olha essa sensação. O que a gente vai fazer?" Ele respondeu: deixa comigo. Ele foi lá no palco e disse ao público: "Galera, é o seguinte, vocês ficam aí embaixo, na plateia; e a banda fica aqui, no palco, ninguém sobe aqui!" E não deu outra. Mas eu achei que ia dar em confusão. Teve um ano que teve uma tempestade na cidade, cara, que todos os palcos pararam, menos o Rec-Beat, porque a gente conseguiu manter o festival. A mesa de som parou, a banda tocando e a gente abrindo a mesa e secando com um secador de cabelo. Quando a gente fechou a mesa, a banda acabou de tocar e ela já estava pronta para outra apresentação. Tem uns sufocos, assim… Agência Brasil: Assim que acaba o festival, você já começa a pensar na próxima edição ou dá aquele tempinho para ir digerindo as coisas? Gutie: É um processo contínuo, a gente vai pensando no festival o tempo todo. Tem muita coisa que a gente tenta, imagina para acontecer e não acontece, fica para o próximo ano. E até queria conseguir ter mais certeza das coisas. Como falei no início da nossa conversa, a questão mesmo do financiamento. Mas eu penso o festival o tempo todo, eu tenho lá os nomes que eu gosto, que fico acompanhando e fora o Rec-Beat, a gente tem a nossa produtora, tem outros eventos. A gente tem o festival de cinema, de animação, que é incrível e está gigante também e que nos obriga a pensar nessa outra linguagem que é o cinema de animação. Esse ano a gente está lançando o festival de música percussiva. É inédito também. É em março, e está bem em cima. Tem a possibilidade de a gente fazer em outras cidades. A gente também tem a possibilidade de fazer o Rec-Beat em outras cidades, isso tudo meio que dentro de uma comemoração dos 30 anos. Agência Brasil: Quando você olha para esses 30 anos, o que você pensa? O que ficou para você? Gutie: Olha, realmente 30 anos é muito. Eu não imaginava, porque a gente vai construindo edição por edição. Mas, assim, o que eu recebo do feedback das pessoas que acompanham o Rec-Beat, as pessoas que são mais jovens, é a maneira que o festival surpreende, o impacto que causa nas pessoas. Isso que eu acho bacana. O que eu mais curto no Rec-Beat é exatamente isso: a pessoa vai para ver o nome que ela conhece e acaba se deparando com outras opções que causam surpresa, que são coisas transformadoras. Eu acho que essa é uma função também de festivais como o Rec-Beat, que é você apresentar novas opções para as pessoas, para mostrar que existe vida além da mídia massiva, além dos algoritmos. E eu acho que a verdadeira missão no festival, é essa: apresentar opções, propostas de várias regiões, de vários locais. Ou seja, mostrar para as pessoas que existem milhares de opções para se conhecer, para que as pessoas também acreditem, apostem, se joguem nessa ideia do novo, sabe!? É lógico que a tradição é importantíssima também e é legal manter. Mas não ter medo, não ter medo do desafio, não ter medo do novo, sabe!? O novo sempre vem!
- Novidades de Gabi Lamas, Aísha Kali, Pedro Pondé e Marissol Mwaba
O duo Deekapz. Foto: Bruna Sussekind/Divulgação Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Bloco 4 Guilherme Miquelutti O SomTemporâneo está no ar há mais de dez anos te mostrando que não param de surgir bons novos talentos no cenário musical brasileiro. Nesta edição, os destaques entre os artistas que estão em começo de carreira são Pedro Pondé, John, Gabriel Silveira, Marissol Mwaba, Mandinga Beat, Aísha Kali, Hiran, Clara Tannure, Gabi Lamas, João Merín, Enme, Deekapz e Jup do Bairro . Confira as músicas tocadas no programa: 1. Pedro Pondé - Cê Mexeu Comigo 2. John e Luiza Dutra - Último Samba 3. Gabriel Silveira e Raidol - Sentimento da Alma 4. Marissol Mwaba, Bebé Salvego e Bruna Black - Convecta 5. Mandinga Beat e MELO-T - Kafofo 6. Aísha Kali e Tuyo - Certas Palavras 7. Hiran - Ariano Franco 8. Clara Tannure, Nannauê e Alana Fox - Livre Amor 9. Gabi Lamas - Bibelô 10. João Merín e Zé Atunbí - O Beijo, o Toque 11. Enme - Agarradinho 12. Deekapz e Fat Family - Dance 13. Jup do Bairro - E Se Não Fosse o Sonho Ouça na Rádio Nove O SomTemporâneo vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 11h e segunda às 19h.
- O único disco do Bango e a trajetória de Os Canibais
LP Bango (1971). Imagem: Reprodução O Rock Brasil 70 apresenta um dos discos mais cultuados e raros do rock brasileiro dos anos 1970: o álbum Bango (1971), da banda homônima, mas também conhecida como Os Canibais . Vindos do circuito de bailes da Jovem Guarda, Os Canibais tinham forte ligação com o rock internacional dos anos 60, com um repertório predominantemente de versões de clássicos do pop e do rock anglo-americano, como as adaptações de Time Won’t Let Me (The Outsiders), Happy Together (The Turtles) e Everything You Do (The Searchers). A banda passou por uma transformação radical ao adotar o nome Bango , incorporando elementos de garage rock, psicodelia e hard rock , em sintonia com o som pesado que começava a ganhar força no Brasil e no exterior. O disco já deixa clara a mudança de rumo da banda: guitarras com fuzz, órgão marcante e uma sonoridade que dialoga com o rock pesado e psicodélico do início dos anos 70. A banda alterna momentos de peso, passagens introspectivas e trechos instrumentais, reforçando o status cult do álbum entre colecionadores e pesquisadores do rock nacional. O programa apresenta o disco na íntegra, além de um terceiro bloco com versões e gravações posteriores que ajudam a entender a evolução musical do grupo ao longo das décadas. Hoje, Bango é considerado um registro essencial do underground brasileiro , representando a transição entre a estética da Jovem Guarda e a liberdade criativa que marcou o rock nacional nos anos 1970. Músicas tocadas no Rock Brasil 70: LP Bango (1971) Inferno no Mundo Mas Senti Rollin’ Like a Boat Motor Maravilha Marta, Zéca, o Padre, o Prefeito, o Doutor e Eu Rock Dream Geninha Only Vou Caminhar Ode to Billy Os Canibais Garota Teimosa ( Time Won’t Let Me) Quase Fico Nu ( Everything You Do ) Felizes Juntinhos ( Happy Together ) Você Não Vai Savoy Truffle – cover dos Beatles , gravado em 2008 com participação de Renato Rocha (Detonautas) Ouça na Rádio Nove O Rock Brasil 70 vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 12h e terça às 19h.
- 400 edições de Capítulo Rock
Arte: Maurício de Santi/Rádio Senado - Imagem gerada por IA Celso Cavalcanti, Maurício de Santi, Bruno Lourenço e Nilo Bairros O Capítulo Rock chega à sua edição de nº 400. Lançado em julho de 2018 com a proposta de levar os ouvintes a uma viagem musical pelo melhor do rock 'n' roll, o programa destaca semanalmente as variadas vertentes e épocas do rock brasileiro e internacional: do metal ao progressivo; do blues-rock ao psicodélico; passando também pelo indie, glam, punk, grunge e muito mais. A cada Capítulo, uma história e uma playlist recheada de clássicos, lados “B” e lançamentos. Tudo regado a um bate-papo descontraído com casos e curiosidades do mundo do rock. E para a festa da 400ª edição ficar completa, não podiam faltar convidados especiais. Nesta semana o programa conta com a participação especial de convidados que estiveram em edições anteriores juntamente com os apresentadores Celso Cavalcanti, Maurício de Santi, Nilo Bairros e Bruno Lourenço. Nessa lista vip de convidados estão Armando e Patrícia Mosna, da Rádio 4 Tempos; Alan Black; Wagner Hermusche; Lelo Nirvana; Dena Clara; Marcelinho Barros; André Negão e Kiko Peres. Além de relembrar suas participações no programa, são eles que indicam a playlist de músicas para a edição especial do Capítulo Rock nº 400. Confira as músicas tocadas no programa: - “WASN’T BORN TO FOLLOW” (THE BYRDS) - “METAMORFOSE AMBULANTE” (VERÔNICA SABINO) - “WHAT ABOUT ME?” (SNARKY PUPPY) - “SALÉM – CIDADE DAS BRUXAS” (HARPPIA) - “YOU REALLY GOT ME” (THE KINKS) - “I’M AFRAID OF AMERICA” (DAVID BOWIE) - “BRINCO” (ANDRÉ NEGÃO) - “BALA PERDIDA” (KIKO PERES E JOE TORQUATO) - “REBEL REBEL” (DAVID BOWIE) - “IF YOU WANT BLOOD” (AC/DC) Ouça na Rádio Nove O Capítulo Rock vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 13h e na terça às 20h.
- Charretinhas do Forró mantém folia de resistência na Vila Planalto
Com ritmos regionais, festa homenageia carnavalesco morto em 2017 Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil Wellton Máximo Com as bênçãos do bonecão do carnavalesco Joãozinho da Vila, falecido em 2017, a Praça Zé Ramalho, a 5 quilômetros da Praça dos Três Poderes, no centro de Brasília, transformou-se em cenário de resistência cultural neste domingo (15) de carnaval. Por mais um ano, o Bloco Charrete, dedicado a ritmos do Norte, atraiu foliões empenhados em manter a alegria em um dos bairros de maior importância histórica do Distrito Federal. A missão do Charrete é manter o legado do bloco Vilões da Vila, fundado por Joãozinho. Após a morte do carnavalesco, a Vila Planalto, bairro próximo ao Lago Paranoá onde originalmente moravam os operários que construíram Brasília, ficou dois anos sem folias no carnaval. O silêncio carnavalesco só foi quebrado em 2019, quando o produtor Thiago Fanis, acompanhado de membros do Vilões da Vila e de figuras culturais da Vila Planalto, fundou o Charrete, formado pela união dos grupos Fanfarra Tropicaos e Charretinha do Forró. O produtor Thiago Faniz ao lado do boneco do carnavalesco Joãozinho da Vila - Joédson Alves/Agência Brasil “A Vila Planalto é um dos territórios de maior patrimônio histórico do Distrito Federal. Procuramos manter acesa a chama do carnaval nessa região, sempre com as bênçãos de Joãozinho da Vila”, explica Thiago, diante do bonecão do carnavalesco. Ele faz questão de ressaltar que pediu autorização aos remanescentes do Vilões da Vila antes de fundar o bloco. Músicas regionais Esqueça os pandeiros, os tamborins e o axé. No carnaval do Bloco Charrete, coexistem ritmos do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. A banda Charretinha do Forró toca ritmos nordestinos. A Fanfarra Tropicaos une músicas populares com marchas carnavalescas tradicionais. Também está prevista a apresentação de DJs e de coletivos culturais do DF, com estilos que vão do reggae ao tecnobrega. No momento em que a reportagem da Agência Brasil acompanhava o bloco, marchas carnavalescas tradicionais e boleros antigos eram tocados no palco. Carnaval de interior Monique Menezes gosta do clima de carnaval de cidade do interior que encontra na Vila Planalto, no centro da capital - Joédson Alves/Agência Brasil De menor porte que os blocos mais famosos do Distrito Federal, o Charrete atrai um público em busca de uma folia mais tradicional e de menos multidão. Vestida de leoa, a autônoma Monique Menezes, 48 anos, diz que a Vila Planalto tem se tornado referência para um carnaval diferenciado. “A Vila Planalto remete a um povoado do interior, e o carnaval aqui acaba refletindo esse clima de folia de rua de cidade pequena”, conta Monique. Álvaro Peres foi pela primeira vez ao Charretinha do Forró e aprovou a folia - Joédson Alves/Agência Brasil Pela primeira vez no bloquinho por indicação de amigos, o bancário Álvaro Peres, 36 anos, sentiu-se atraído pelo formato mais tradicional do Charrete. “Pelo que vi até agora, gostei do bloco. É uma diversão que valoriza a cultura brasileira, com ritmo mais próximo do Tropicalismo”, declara. Resistência da alegria Até pela proximidade com a Praça dos Três Poderes, o carnaval na Vila Planalto não se dissocia da política. Enquanto o bonecão de Joãozinho da Vila desfilava na Praça Zé Ramalho, um folião balançava uma bandeira da Palestina. Foliã com tiara informando o número 180 para denunciar crimes de violência contra a mulher - Joédson Alves/Agência Brasil Já estandartes feministas condenavam o assédio a mulheres no carnaval e a atual onda de feminicídios. Adesivos contra a anistia aos condenados no 8 de janeiro e a favor da punição aos responsáveis pela liquidação do Banco Master eram distribuídos aos foliões presentes. Da mesma forma, o público pregava nas roupas adesivos com a bandeira do Brasil conclamando a soberania do país diante do tarifaço de Donald Trump. Os frequentadores do bloco concordam que o carnaval não serve apenas para se divertir, mas para passar mensagens. “Por definição, o carnaval é político. É um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”, defendeu Monique. “O sistema atual é construído para a gente se frustrar. O carnaval é uma brecha para se divertir e voltar à rotina de forma mais descansada”, comenta Álvaro. Edição: Denise Griesinger
- CCBB BH lança programa com ônibus gratuitos para ampliar acesso à cultura
Mediações em Movimento será realizado ao longo de 2026 e ocupa diversos espaços do centro cultural O objetivo do programa Mediações em Movimento, como o próprio nome diz, é trazer um novo movimento para as relações com o público a partir do acolhimento, da sensibilidade, da conexão entre as exposições e diferentes realidades | Crédito: Divulgação/CCBB Redação Brasil de Fato O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte ( CCBB BH ) estreou, em fevereiro, o programa Mediações em Movimento, iniciativa gratuita de arte-educação que aposta na inclusão e na democratização do acesso à cultura. Um dos principais destaques do projeto é a oferta de transporte gratuito para escolas públicas, ONGs e associações, com foco em instituições de regiões periféricas da capital e da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Ao longo dos próximos 12 meses, o programa prevê a disponibilização de cerca de 80 ônibus, permitindo que públicos historicamente afastados dos equipamentos culturais possam acessar exposições, atividades educativas e experiências artísticas no CCBB BH. Para a coordenação do projeto, o investimento em logística é entendido como uma ação de justiça social e cultural, ao enfrentar barreiras econômicas e simbólicas que dificultam o acesso à arte. O Mediações em Movimento será realizado ao longo de 2026 e ocupa diversos espaços do centro cultural, como galerias, pátio e áreas externas. A proposta é integrar arte, educação e transformação social, posicionando o público como agente ativo no encontro com as exposições. O objetivo do programa Mediações em Movimento, como o próprio nome diz, é trazer um novo movimento para as relações com o público a partir do acolhimento, da sensibilidade, da conexão entre as exposições e diferentes realidades, como destaca Danilo Filho, idealizador e gerente pedagógico do projeto. “Olhamos para o visitante, para suas capacidades, seu repertório. Elementos que criam vínculos e levam à compreensão de que ali tem receptividade, mas também tem construção de conhecimento, de desenvolvimento em arte e em questões da sociedade no que diz respeito à educação cidadã. As pessoas vão entrar no CCBB de um jeito e vão sair diferentes”, ressalta. CCBB mantém tradição O programa dá continuidade ao histórico educativo do CCBB BH, que já atendeu cerca de 780 mil pessoas desde a inauguração do espaço. Somente em 2025, foram mais de 1,1 milhão de visitantes no centro cultural. O Mediações em Movimento tem patrocínio do Banco do Brasil e integra os projetos selecionados pelo Edital de Patrocínio CCBB 2026/27. Em fevereiro, as atividades estão vinculadas à exposição “YOSHITAKA AMANO – Além da Fantasia”, com visitas mediadas, ações em Libras, práticas criativas e apresentações voltadas a públicos de todas as idades, sempre com acesso gratuito. Editado por: Elis Almeida
- Robertinho do Recife e a guitarra que atravessou fronteiras
Foto: Arquivo O Rock Brasil 70 dedica esta edição a Robertinho do Recife , um dos guitarristas mais singulares da música brasileira. Dono de uma trajetória marcada pela inquietação artística, Robertinho construiu, ao longo dos anos 1970, uma obra que dialoga com o rock, o jazz, a música instrumental, a psicodelia e a experimentação sonora, sempre fora dos caminhos óbvios.O programa foca nesse período fértil, destacando discos autorais e colaborações que ajudaram a moldar uma estética própria dentro da música brasileira. Entre o jazz rock e a invenção instrumental Lançado em 1977, Jardim da Infância apresentou um guitarrista atento ao que se produzia no jazz rock internacional, especialmente na órbita do Mahavishnu Orchestra, mas com identidade própria. As composições revelam um equilíbrio raro entre técnica, lirismo e risco, abrindo caminho para trabalhos ainda mais livres. Em 1979, com E Agora Para Vocês , Robertinho investe em atmosferas, climas e texturas, consolidando sua linguagem instrumental como uma das mais ousadas da década.A inquietação de Robertinho do Recife não se encerra nos anos 1970. Em 1984, ele surpreende novamente ao lançar o projeto Metal Mania , mergulhando no universo do heavy metal com um disco pesado, técnico e visionário. À época, o trabalho acabou sendo incompreendido, justamente por estar à frente do seu tempo — hoje, é reconhecido como um dos registros pioneiros do metal brasileiro. Músicas tocadas no Rock Brasil 70: Sinais – Jardim da Infância (1977) Idade Perigosa – Jardim da Infância (1977) Chamada – Jardim da Infância (1977) Arrecife – Robertinho no Passo (1978) Não Temas – E Agora Para Vocês (1979) Papo de Guitarrista – E Agora Para Vocês (1979) Dança Imaginária – E Agora Para Vocês (1979) Meu Anjinho – E Agora Para Vocês (1979) Sonhos e Delírios – E Agora Para Vocês (1979) Made in PB – Marconi Notaro (participação de Robertinho do Recife, 1973) Blue do Cachorro Muito Louco – Lula Côrtes & Lailson (participação de Robertinho do Recife, 1975) Fantasia Preto e Prata Fogo – Metal Mania (1984) Ouça na Rádio Nove O Rock Brasil 70 vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 12h e terça às 19h.
- O tempo livre e os hobbies das mulheres
Imagem: Divulgação Sarah Mascarenhas Sarah Mascarenhas e Vitória Pacheco puxam uma conversa que vai direto ao ponto: mulheres têm hobbies ? Parece simples, mas o tempo livre das mulheres é sempre atravessado por culpa e cobrança. Então esse episódio traz a seguinte reflexão: o que acontece quando uma mulher escolhe fazer algo só por prazer? Pra falar sobre isso, recebemos com muito carinho a Maria de Jesus Mascarenhas , mulher dançante, viajante e jogadora de buraco, que nos inspira com leveza, sabedoria e presença. E mais: Na coluna “Contos Sagrados”, Camila Genaro traz o conto indígena "Como nasceram as estrelas", e nos convida a repensar o brincar como uma sabedoria ancestral. Elayne Bione nos lembra, na coluna “Futuro Criativo", que cultivar hobbies, ócio e momentos de prazer é reinventar o tempo, fortalecer a saúde mental, a autonomia e a liberdade. Compartilhe a única revista radiofônica das mulheres arteiras e fazedoras do Brasil. Saiba mais em horadosabbat.com.br Sugira uma pauta Quer entrar na comunidade? Envie uma solicitação Ouça na Rádio Nove O Hora do Sabbat vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 7h e no sábado às 20h.
- Elisa de Sena homenageia ancestralidade de MG em “Orgânica”
Foto: Divulgação Canto mais forte e abro o meu peito negro, nessa Angola deixada nas Minas Gerais. É viola, é batuque, é folia, é reisado e o povo desse Brasil tem mil Áfricas mais , canta Elisa de Sena em Cafuzo, música que abre o seu segundo disco solo, o Orgânica. Os versos mostram, logo de cara, a que veio o novo álbum, focado na ancestralidade, na música mineira e em ritmos de origem negra e indígena. Nesta entrevista ao programa Aplauso, Elisa de Sena detalha o processo de construção do álbum, onde apresenta dez canções que têm percussão e instrumentos de corda como protagonistas. A moça chamou algumas participações especiais, entre elas, o cantor e compositor Pedro Luís (Monobloco e A Parede), único não-mineiro do projeto que acrescentou o suingue carioca à canção Avenca, composição de Elisa de Sena. Orgânica apresenta duas releituras: Amor de Índio, clássico da música mineira que ganhou nova roupagem, em arranjo de Nath Rodrigues, aprovado pelos autores Beto Guedes e Ronaldo Bastos. A outra regravação é Cheiro Mineiro de Flor, um hit de Sá & Guarabyra que, na voz de Elisa de Sena, virou um forró bem simpático. Confira as músicas tocadas no programa: Cafuzo (Sérgio Moreira) – Elisa de Sena Água de Talha (Allison Paulo Vieira – Nego Moura) – Elisa de Sena e Nego Moura Cheiro Mineiro de Flor (Sá & Guarabyra) – Elisa de Sena e Pedro Morais Coração de Marujo (Sérgio Pererê) – Elisa de Sena Avenca (Elisa de Sena) – Elisa de Sena e Pedro Luís Acauã ou Moço Pássaro (Elisa de Sena) – Elisa de Sena Amor de Índio (Beto Guedes/Ronaldo Bastos) – Elisa de Sena As Contas (Elisa de Sena/Manu Ranilla) – Elisa de Sena e Manu Ranilla O Que É Fé (Elisa de Sena/Alysson) – Elisa de Sena e Alysson Jurema do Mar (Elisa de Sena/Luísa Nascimento) – Elisa de Sena e Luísa Nascimento Apresentação: Carmen Delpino Trabalhos técnicos: Alan de Sousa Ouça na Rádio Nove O Aplauso vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 9h e quinta às 19h.
- Elton John rocks! 1969-1975
Foto: Heinrich Klaffs, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons 1º bloco 2º bloco Celso Cavalcanti e Maurício de Santi Cantor, compositor, pianista e um dos maiores hitmakers da música mundial. Celebrizado principalmente pelas baladas românticas que atravessam gerações, Elton John também navegou pelo rock em vários de seus álbuns, principalmente no início da carreira. E é essa veia roqueira do ícone pop que o Capítulo Rock destaca nesta semana. No programa, faixas de cinco álbuns que ele lançou nos primeiros anos de sua produção em estúdios: “Empty Sky” (1969), “17/11/70” (ao vivo de 1971), “Honky Château” (1972), “Goodbye Yellow Brick Road” (1973) e “Rock of the Westies” (1975). Elton John é o artista solo que mais emplacou sucessos na história da Billboard, ranking da indústria musical norte-americana. Em cinco décadas de carreira já vendeu mais de 300 milhões de discos; em 1996 foi nomeado cavaleiro da ordem britânica pela Rainha Elizabeth por sua contribuição à música e pelos seus trabalhos sociais; como a “Elton John AIDS Foundation”, entidade voltada à prevenção e ao atendimento a pessoas com HIV. Além de uma playlist em que Sir Elton passeia pelo progressivo, o psicodélico e até o hard rock, o Capítulo Rock vai trazer casos e curiosidades que marcaram a história desse artista único, que em setembro aporta no Brasil como um dos destaques do Rock In Rio 2026. Ouça na Rádio Nove O Capítulo Rock vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 13h e na terça às 20h.
- A incomum coletânea Brazilian Guitar Fuzz Bananas
Foto: Tropicalia in Furs O Rock Brasil 70 dedica um programa especial a uma das mais importantes compilações de garimpo musical já lançadas sobre o underground brasileiro: Brazilian Guitar Fuzz Bananas: Tropicalista Psychedelic Masterpieces (1967–1976) , álbum lançado em 2010. Organizada por Joel Stones , brasileiro radicado em Nova Iorque e fundador da lendária loja Tropicalia in Furs , a coletânea reúne gravações raríssimas do rock brasileiro psicodélico, retiradas de compactos de 45 rotações lançados entre o final dos anos 1960 e meados dos 1970. São músicas que ficaram fora da história oficial da Tropicália, do rock nacional e da MPB, muitas vezes sem informações completas sobre artistas, gravações ou direitos autorais — um verdadeiro trabalho de arqueologia sonora. O que é Brazilian Guitar Fuzz Bananas ? Mais do que um disco, Brazilian Guitar Fuzz Bananas é um documento histórico. O álbum apresenta guitarras fuzz, psicodelia, garage rock, blues e soul filtrados por um olhar brasileiro, experimental e frequentemente radical. Ao contrário de compilações introdutórias, o disco evita nomes consagrados e aposta na história secreta do rock brasileiro, revelando artistas obscuros, gravações únicas e trajetórias interrompidas antes mesmo de se consolidarem. O programa Rock Brasil 70 contextualizou essas faixas em três blocos, destacando o impacto cultural, estético e histórico de cada registro. Músicas tocadas no Rock Brasil 70: Célio Balona – Tema de Batman Loyce e Os Gnomes – Era Uma Nota De 50 Cruzeiros The Youngsters – I Wanna Be Your Man Serguei – Ouriço Fábio – Lindo Sonho Delirante Tony e Som Colorido – O Carona 14 Bis – God Save the Queen Obs.: este 14 Bis não é a banda de Flávio Venturini, mas um grupo homônimo que não seguiu carreira. Banda de 7 Léguas – Dia de Chuva Ton & Sérgio – Vou Sair do Cativeiro Ely Barros – As Turbinas Estão Ligadas Com Os Falcões Reais – Ele Século XX Marisa Rossi – Cinturão de Fogo The Pops – Som Imaginário de Jimi Hendrix Loyce e Os Gnomes – Que É Isso? Mac Rybell – The Lantern Por que esse disco é importante para a história do rock brasileiro? Brazilian Guitar Fuzz Bananas revela como o rock brasileiro dialogou com a psicodelia internacional , a invasão britânica e o soul americano, criando versões locais ousadas, distorcidas e, muitas vezes, incompreendidas em sua época. Essas músicas mostram que o rock nacional não se resume aos nomes consagrados. Existe um vasto território subterrâneo feito de tentativas, excessos, rupturas e experimentações — muitas delas soterradas pelo tempo. Como escreve Joel Stones na apresentação do disco: “Como procurar algo que você nem sabe que existe?” Rock Brasil 70: história fora do eixo O Rock Brasil 70 reafirma, neste programa, seu compromisso com a memória do rock brasileiro fora do eixo comercial e da narrativa dominante. Ao revisitar Brazilian Guitar Fuzz Bananas , o programa ilumina um capítulo pouco conhecido — e fundamental — da música brasileira. Rock Brasil 70 – rock brasileiro dos anos 70, fora do óbvio, fora da caixa e fora da história oficial. Ouça na Rádio Nove O Rock Brasil 70 vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 12h e terça às 19h.
- João Barone conta o tempo e as estórias dos Paralamas
Foto: Divulgação Boa porção dos 40 anos d’ Os Paralamas do Sucesso é narrada num livro que o baterista João Barone lançou em 2025. O nome da publicação é 1,2,3,4! Contando o tempo com Os Paralamas do Sucesso (Editora Máquina de Livros). Em linguagem agradável, Barone parece conversar com o leitor, como se estivesse na mesa de um bar, escarafunchando memórias e contando causos, muitos alegres e outros, nem tanto. Nesta primeira parte da entrevista concedida pelo músico ao programa Aplauso , a ênfase está nas estórias em torno dos dois primeiros álbuns do grupo: Cinema Mudo (1983) e O Passo do Lui (1984). Puxando a brasa para a sua sardinha, João Barone revela que uma das ambições d’Os Paralamas, naquela época, era encontrar um som de bateria diferente das outras bandas. Barone também não foge de polêmicas, como as acusações de plágio feitas por Lobão a Herbert Vianna . Pela primeira vez, o público fica sabendo da posição da banda oficial d’Os Paralamas sobre esse assunto. Confira as músicas tocadas no programa: Cinema Mudo (Herbert Vianna) – Os Paralamas do Sucesso Vital e Sua Moto (Herbert Vianna) – Os Paralamas do Sucesso Meu Erro (Herbert Vianna) – Os Paralamas do Sucesso Assaltaram a Gramática (Lulu Santos/Waly Salomão) – Os Paralamas do Sucesso e Lulu Santos Me Liga (Herbert Vianna) – Os Paralamas do Sucesso Alagados (Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone) – Os Paralamas do Sucesso Melô do Marinheiro (Bi Ribeiro/João Barone) – Os Paralamas do Sucesso Uma Brasileira (Herbert Vianna/ Carlinhos Brown) – Os Paralamas do Sucesso e Djavan O Mormaço (Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone) – Os Paralamas do Sucesso e Zé Ramalho Apresentação: Carmen Delpino Trabalhos técnicos: Leandro Gregorine Ouça na Rádio Nove O Aplauso vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 9h e quinta às 19h.












