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- Descobertas Groover #34 – Novos Sons da Plataforma Groover
No ar mais uma edição do Descobertas Groover , programa dedicado a apresentar os lançamentos de artistas independentes que chegam até nós pela plataforma Groover. Nesta edição, dez faixas que exploram o blues rock, o indie e a psicodelia. Que é Você, Alice? / Foto:Divulgação Entre os destaques: Jimi Fiano com o blues rock intenso de Sweat and Pray , a melancolia de Alone do projeto Saline Eyes, a balada alternativa Someone New da banda Esplanada e o rock triste porto-alegrense da Quem é Você, Alice? com Se Eu Ver Meu Fim (Agosto) . Também estão na seleção: John Cologon, The Pleasure Merchants, The Emily Dickinsons, Hallucinophonics, Visceral Design e Milli Schweizeris. - Terça, 09/09, 20h, na Rádioweb @cult22 ( cult22.com ); - Quarta, 10/09, 20h, na @radiornp ( rocknopinheiro.com.br ); - Domingo, 14/09, 14h, na Rádio Nove. - Segunda, 15/09, 20h, na Rádio Nove. Ou a qualquer momento no Soundcloud da Rádio Nove: soundcloud.com/webradionove/dg_34
- Descobertas Groover #46 com novos nomes do alt-rock e indie internacional
Beth Gladen. Foto: Divulgação Nesta edição #46, o Descobertas Groover reúne artistas independentes de diferentes países em uma curadoria que cruza metal moderno, indie rock, hard rock, country rock e pop alternativo. O programa constrói um percurso que vai do confronto direto à reinvenção pessoal, passando por temas como relações tóxicas, crítica social, despedidas, autonomia e força interior. A seleção começa em alta intensidade com Kelly Murphy feat. Josh Paulino – Like a Parasite , metal pesado e melódico sobre reconhecer comportamentos tóxicos e romper ciclos. Em seguida, ANNIE – (Bang, Bang) Down You Go transforma guerra e manipulação em uma canção tensa e sem concessões. O clima tenso segue com Beth Gladen & The Electric Revolution – Subdued Madness , alt-rock que traduz exaustão e ansiedade coletiva. Entramos em território mais introspectivo com Andy Jans-Brown – Airport Departure Lounge , indie rock cinematográfico sobre despedidas e transições. A energia retorna com AR DEGARD – I Ain’t Yours to Please , country rock de arena sobre recuperar a dignidade, e se aprofunda com Desu Taem – Stone That Is Me , rock alternativo denso e existencial. Na reta final, o Descobertas Groover aposta em expansão e reinvenção. Revolution Mary – Gold traz indie-pop confiante e afirmativo, Jeff Vidov – Freedom Is So Divine apresenta uma balada cinematográfica com orquestra, Love Ghost – Rock Me Amadeus revisita um clássico sob uma ótica industrial, e Helium Moth – One Good Deed fecha com hard rock cru e explosivo. Ouça na Rádio Nove Descobertas Grooover vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 14h e segunda às 20h.
- Desu Taem e o álbum "13": um murro sonoro no estilo "Savage Retro Rock"
O álbum "13" | Divulgação Se você procura uma banda que soe como uma "patada na porta da normalidade" , precisa conhecer Desu Taem . Este duo americano, formado por pai e filho, não apenas criou um som diversificado e envolvente, mas definiu seu próprio gênero musical: o "Savage Retro Rock" . E o melhor de tudo? Eles estão produzindo novas músicas em uma velocidade impressionante. Mas quem está por trás desse furacão sonoro? Desu Taem é a dupla Shan e Nick Greene . Shan cresceu tocando em várias bandas e a dupla toca junto desde que Nick tinha cerca de nove anos. Agora com 25, Nick também tocou em diversas bandas e traz toda sua experiência de estúdio como músico e engenheiro de áudio . A química é perfeita porque eles compartilham os mesmos gostos musicais, alimentando-se de gigantes como Led Zeppelin, Smashing Pumpkins, Jane‘s Addiction, Black Sabbath e Nirvana. Desde 2023, eles decidiram oficializar essa força da natureza e começaram a lançar música como Desu Taem. A dinâmica da banda é única: "DESU TAEM é formado por mim (Shan) e meu filho, Nick. Minhas ideias loucas são manifestadas pelo Nick" . Essa parceria transborda em cada riff, em cada batida. O resultado? "Todos os aspectos do rock n‘ roll e um bom e duro chute na bunda para ajudar você a realmente sentir isso." E é exatamente essa a experiência de ouvir o álbum "13" . Vamos mergulhar em algumas das faixas que fazem deste disco uma verdadeira montanha-russa emocional? Destaques do Álbum "13" "Why’d I Let You Talk Me Into It?" Prepare o terreno. Esta é a faixa que vem com um recado direto da banda: "Vá lá, dê um tapa no seu amigo… deixe-o no clima para um 'living room mosh'." É a definição de Savage Retro Rock em poucos segundos: cru, comunitário e catártico . "(About your faith…) Prefab Jesus" Desu Taem não tem medo de temas espinhosos. Com ironia ácida, a canção aborda a fé e o consumo de crenças prontas. A banda sugere: "Obtenha seu trauma da maneira que você precisar." "Derivative inquisitive" Há uma beleza brutal na forma como a banda vê o companheirismo. Em meio à distorção, a mensagem é clara: "Ajudem uns aos outros a sangrar, é isso que os bons amigos fazem!" "Collateral Damage" A vida é imprevisível e, às vezes, somos atingidos quando menos esperamos. É um hino para os momentos de caos involuntário, embalado por guitarras que ecoam essa imprevisibilidade . "No Lives Matter" A banda entrega uma mensagem ácida sobre a existência: "Não superestimemos nosso valor, está bem?" Um misto de humor negro e a crueza que só o Desu Taem consegue entregar. Um Universo de Puro Rock Desu Taem é um espaço seguro para o caos, onde a relação entre pai e filho se traduz em música sem filtros. Com mais de dez álbuns no currículo , Shan e Nick Greene continuam a provar que o rock está vivo, saudável e mais perigoso do que nunca.
- A cantora JessC lança a emotiva "One Chance"
Photo: JessC Facebook page A cantora e atriz internacional JessC apresenta seu novo single, " One Chance ". Atualmente baseada na Austrália, a artista é conhecida por sua versatilidade linguística, interpretando músicas em mandarim, inglês, malaio, cantonês e japonês. Em 2025, ela lançou três álbuns completos em diferentes idiomas, consolidando sua proposta de cruzar fronteiras culturais. Agora, JessC expande sua presença para mercados como EUA, Europa e América do Sul. "One Chance" é uma faixa pop emocional com produção cinematográfica, que fala sobre aproveitar o momento e acreditar nos riscos — uma mensagem universal que tem conquistado ouvintes de rádio em diversos países. Confira:
- Jorge Dalto: o piano que une o jazz e o tango
Imagem: Divulgação LPMR Jorge Dalto não era simplesmente um pianista; ele era o arquiteto de uma ponte invisível entre o ritmo do tango argentino e a efervescência do jazz nova-iorquino. O seu legado é definido por uma elegância rítmica que conseguia o impossível: soar sofisticado e visceral ao mesmo tempo. Dalto alcançou a imortalidade sonora ao tornar-se o braço direito de George Benson. Foi o seu piano que cimentou o sucesso global de «This Masquerade», onde o seu solo não só complementa a voz de Benson, mas também estabelece um novo padrão para o smooth jazz com toques latinos. A sua carreira foi um desfile de gigantes. Desde a sua direção musical para Gato Barbieri até sessões com Tito Puente e Grover Washington Jr., Dalto injetou uma sensibilidade harmónica única em cada projeto. Ele soube traduzir a melancolia do Cone Sul para a linguagem do funk e da fusão. Foi uma peça fundamental na cena do Latin Jazz dos anos 70 e 80, trazendo uma técnica clássica refinada aos ritmos afro-cubanos. A sua partida prematura em 1987 deixou um vazio na música de fusão, mas o seu trabalho permanece como uma cátedra aberta sobre como integrar identidades culturais sem perder a essência. Dalto não apenas tocou piano; ele deu ao jazz uma nova cidadania. Ouça na Rádio Nove Luz para Mundos Remotos vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 17h e quarta às 20h.
- Tomasoso lança “Last Summer in Freedom” e transforma inquietação política em música autoral
Foto: Instagram @tomaoso_berlin Em um mundo marcado por novos conflitos armados, retrocessos políticos e uma sensação crescente de instabilidade global, o artista europeu Tomasoso apresenta “Last Summer in Freedom” , uma canção que funciona como comentário crítico, desabafo pessoal e manifesto artístico. A faixa reflete sobre guerras contemporâneas, o fracasso das promessas do pós-Guerra Fria e os efeitos duradouros de políticas internacionais baseadas em poder, exploração e divisão. A música parte de uma constatação incômoda: décadas após o fim da Guerra Fria, a guerra voltou a assombrar a Europa. Em vez de cooperação global, preservação do planeta ou avanços coletivos, a humanidade segue refém da ganância, do fascismo, do racismo e da fragmentação social. “Last Summer in Freedom” nasce exatamente desse ponto de tensão, defendendo uma postura ativa, crítica e resistente diante de um cenário cada vez mais hostil. Um artista multidisciplinar fora de rótulos A obra de Tomasoso é marcada por uma observação atenta — e muitas vezes irônica — da natureza humana. Esse olhar se traduz em letras que misturam humor negro, sarcasmo, sátira brutal e reflexão existencial . Musicalmente, Tomasoso constrói suas canções a partir de loops de bateria , muitas vezes encontrados online, sobre os quais adiciona baixo, guitarras e vocais . O resultado é um som híbrido, que pode misturar punk, rock alternativo, tango e spoken word , sempre moldado ao ritmo e à intenção das letras. O próprio artista descreve seu canto com ironia, assumindo não ser um cantor tradicional. O vocal surge como extensão emocional da música — cru, direto e visceral — reforçando o caráter autoral e independente do projeto. Liberdade criativa e resistência artística Com “Last Summer in Freedom” , Tomasoso reafirma a música como espaço de resistência, reflexão e liberdade criativa. Em tempos de ruído, polarização e repetição, sua obra se destaca por não buscar conforto, mas sim provocar, questionar e, acima de tudo, permanecer honesta.
- Descobertas Groover #47: rock alternativo, psicodelia e crítica social
Foto: Eliziana Santos/Divulgação O Descobertas Groover #47 apresenta uma curadoria musical que conecta rock alternativo , psicodelia , dark wave , post-punk e canção autoral contemporânea. Em três blocos, o programa reúne 10 faixas independentes que exploram temas como identidade, conflito interno, decadência social e vida urbana, reafirmando o papel da música como linguagem crítica e sensorial. Psicodelia contemporânea e paisagens sonoras imersivas A abertura do programa aposta em atmosferas psicodélicas e narrativas existenciais. Outer Planets surge com “Limbo”, faixa cantada em espanhol que combina riffs densos, solos clássicos e momentos experimentais. Em seguida, Hallucinophonics conduz o ouvinte por “Afternoon of Acid Rain”, uma jornada de rock psicodélico moderno marcada por grooves hipnóticos e imagens surreais. Fechando o primeiro bloco, Zéfa & Sua Trupe Imaginária retorna após hiato com “Je T’aime… Numa Tarde de Domingo”, reafirmando sua psicodelia tropical brasileira em uma faixa sensível, atmosférica e intimista. Dark wave, doom metal e crítica ao mundo digital O segundo bloco mergulha em sonoridades mais densas e reflexivas. Alain Void apresenta “Volontà”, unindo dark wave e post-punk a uma abordagem filosófica sobre vontade, percepção e existência. Logo depois, Desu Taem transforma o doom metal em metáfora psicológica em “Monster Under My Bed”, explorando medos que atravessam gerações. A crítica social se intensifica com Tomasoso e a faixa “Decadence”, que ironiza a banalização da tragédia na era digital. O bloco se encerra com Sociedade Crua , cuja canção “Espiar” mistura rock clássico, blues, progressivo e MPB para refletir sobre o tempo, a vida e seus desafios. Rock alternativo, memória e colapso urbano No bloco final, o programa se volta para o confronto interior e a brutalidade das cidades. Silas Grime entrega em “Ashes on the Altar” um rock alternativo intenso , marcado por dúvidas espirituais, honestidade emocional e guitarras pesadas. Em contraste, Beckside of Richness resgata “Rain”, uma canção escrita nos anos 80 que preserva o espírito pop-rock clássico e a força da memória musical. Encerrando o programa, Alternata apresenta “Selva de Pedra”, um post-punk brasileiro sombrio e visceral que denuncia a desumanização, a violência urbana e a indiferença social nas metrópoles. Um programa para quem busca música fora do óbvio O Descobertas Groover se consolida como um espaço dedicado à música independente internacional e brasileira , reunindo artistas que usam o som como ferramenta de questionamento, expressão e resistência cultural. Um programa ideal para ouvintes interessados em novos sons , rock alternativo contemporâneo e curadoria musical crítica . Ouça na Rádio Nove Descobertas Groover vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 14h e segunda às 20h.
- Rock no Pinheiro #122 - Entrevista sobre Festival Ró-Ré-Mi
Yuri Braule Fala galera pinheirista, Rock no Pinheiro no ar! Neste programa, você confere a reprise do programa que rolou nas rádios entre os dias 6 e 13 de junho de 2024, no qual trouxemos os lançamentos pinheiristas, com muita música boa e nova da galera independente, além de trazermos uma entrevista com a galera da Moto Gole MC sobre o Festival Ró-Ré-Mi . Segue a gente nas redes sociais: Instagram Facebook Twitter Veja nosso programa no YouTube, toda segunda, às 20h Acesse nosso site e ouça nossa rádio Colabore para manter o Rock no Pinheiro vivo: Padrim Pix: yuribraule@hotmail.com Músicas que tocaram nesse programa: No Reply - Concentração SubRock - Noites Sofridas Giovanna Moraes - Luluzete Conexão Capivara - Por Que Será? Latrina - Otário Colapso - Rebelião Illlit - Hatred Asfixia Social - Electromagnetic Lucidity - Escherian Stairs Hagalas - Hope Is A Lie S.Y.G.M.A - A New Day Rod Krieger - Cai o Sol e Sobe a Lua Glassfield - Leave a Light On Mari Martins + Serginho Prestes - Agradeça Tagua Tagua - Barcelona SOFA - Disse Para Não Se Importar Saint Crow - Mr. Nice Guy Ouçana Rádio Nove domingo, às 19h.
- Otherworldly Music lança “Peace” e consolida nova fase no indie rock psicodélico
Foto: Divulgação A banda Otherworldly Music , duo independente de Colorado Springs, EUA , apresenta o single “Peace” , marcando uma virada estética em sua trajetória no indie rock psicodélico com influência de rock clássico . A faixa inaugura uma fase que combina a herança setentista do grupo com uma sonoridade mais direta, madura e autoral, ampliando seu alcance dentro do cenário alternativo internacional. Formado por Tyle e Anthony , o Otherworldly Music surgiu inspirado pelo rock psicodélico dos anos 1970 e pelos grandes nomes do rock das décadas de 1970 e 1980. Ao longo do tempo, a dupla abandonou a tentativa de reproduzir a densidade sonora de bandas com múltiplos integrantes e passou a investir em uma identidade própria, explorando os limites criativos de um projeto com apenas dois músicos. Essa evolução fica clara a partir do álbum Not A Lizard , lançado no fim de 2024, e ganha novos contornos com Nominally Obscure , previsto para 2026. O disco aprofunda a fusão entre classic rock , indie rock e atmosferas psicodélicas, consolidando a maturidade artística do projeto. Além disso, a banda já trabalha em um terceiro álbum independente, The Others , descrito como um rebranding completo do som e da estética do grupo. O trabalho promete ampliar ainda mais o caráter experimental e conceitual da banda, reforçando sua identidade fora dos padrões comerciais.
- "O novo sempre vem", diz fundador do Rec-Beat nos 30 anos do festival
Edição de 2026 traz presença eletrônica ao Cais da Alfândega Foto: Victor Jucá/Divulgação Luciano Nascimento Considerado como um dos principais polos de resistência cultural e de janela para a música independente e multicultural no país, o Festival Rec-Beat chega aos seus 30 anos mantendo vivas a vitalidade e inquietação que marcaram sua origem. Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-Beat construiu, ao longo de sua história, uma trajetória pautada pela diversidade, onde diferentes públicos, estéticas e gerações se encontram em meio ao frenesi das troças, do frevo e dos maracatus que agitam o Carnaval pernambucano. O Festival começou no sábado (14) gordo de Carnaval e vai até a terça-feira (17). Nesses dias, o Cais da Alfândega, no Recife, se transforma em um território onde a regra é a experimentação, já que o festival se consolidou como um espaço de descoberta e circulação de novas ideias musicais, unido pelo diálogo entre tradições e vanguardas. Entre os destaques desta edição , que faz um diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África, estão artistas como NandaTsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo e Jadsa, que se somam a feras como como Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro – que celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas, dividindo o show com Layse, nome emergente da cena paraense. Para falar um pouco sobre o festival, um catalisador cultural que conecta modernidade e ancestralidade, a Agência Brasil bateu um papo com o fundador do Rec-Beat, Gutie. Ele contou um pouco sobre a dinâmica do festival, seus causos e fez algumas observações sobre a cena dos festivais independentes no país. Festival Rec-Beat celebra 30 anos, com programação eletrônica no Cais da Alfândega - Foto: Ariel Martini / I Hate Flash Agência Brasil: Queria que você começasse falando dos 30 anos de Rec-Beat. Como o festival foi pensado para esse ano de comemoração? Gutie: Olha, a gente sempre tem esse desafio, de fazer o festival a cada ano. A gente, na verdade, manteve muito o conceito do festival. Uma das novidades que a gente está fazendo nesses 30 anos, além, evidentemente, de mexer no baú da memória, foi buscar muito da história do festival. Até foi uma coisa surpreendente, que a gente começou a encontrar muito conteúdo, começou até a gerar um conteúdo histórico do festival nas nossas redes. Está sendo bem interessante revisitar isso.Eu tinha uma ideia, já há algum tempo, que vinha acontecendo no festival, que é a presença eletrônica na nossa programação. Eu queria muito ter uma coisa mais focada ainda, trazendo DJs, tudo. Então, neste ano, eu concretizei uma ideia de criar um selo: é um evento mesmo que a gente quer dar continuidade, chamado Moritz.A gente abriu a primeira noite do festival com uma programação só voltada para DJs nacionais, locais e internacionais, e já com a perspectiva do Moritz se tornar também um evento autônomo com o tempo, podendo acontecer associado ao Rec-Beat e também pode acontecer de uma forma independente.Essa é uma, como eu te disse, é uma ideia que eu tinha alimentando já há um tempo, que a gente concretizou agora. E no mais, a gente manteve a ideia do festival da diversidade, de buscar relevância em todas as regiões do Brasil.E também a gente que vem fazendo há vários anos essa questão de olhar para a América Latina, para a África. Então, esse é o resultado da programação que a gente conseguiu montar nesses 30 anos. Agência Brasil: Você falou sobre manter a identidade do festival. Conta um pouquinho como foi essa ideia de criar o festival? Como surgiu? Gutie: O Rec-Beat nasceu naquele ambiente efervescente dos anos 90. No início dos anos 90, quando a gente teve aqui no Recife, todo aquele boom, que hoje é conhecido como Manguebeat, e eu vivia naquele ambiente. Então, os amigos, os lugares que a gente frequentava, era tudo compartilhado. A gente compartilhava muito esses espaços. E eu fiquei muito impactado, evidentemente, com o que estava acontecendo. Aí eu criei uma festa. E olha, eu era jornalista, não tinha nada. Era uma diversão mesmo. Eu criei uma festa com o nome Rec-Beat, em um casarão no centro histórico da cidade. Na verdade, era um puteiro que recebia marinheiros. Era o Francis Drinks, também conhecido como Adílias Place e eu comecei a fazer umas festas chamadas Rec-Beat. Aí surgiu uma oportunidade, eu mandei 12 bandas para São Paulo, para a [casa de shows] Aeroanta, pela época em 1993. Foi quando, meio que pode-se dizer que foi a edição zero do Rec-Beat, porque a gente reuniu lá 12 bandas na Aeroanta e foi impactante, assim, com uma repercussão muito grande. Aí eu comecei a perceber que, no carnaval, que eu gostava muito e frequentava Olinda. Na época, não tinha o carnaval no Recife, como tem hoje. Eu percebia que as pessoas tinham aquela curiosidade para entender que som era aquele que tanto se falava, né, que estava acontecendo no Recife, em Pernambuco. Onde estava aquele som. Então, eu criei um minifestival, que era o Rec-Beat, num centro histórico, no Centro Luiz Freire, que tinha um quintal. Ainda existe o espaço. E aí eu comecei a programar, durante o carnaval, as bandas. Ali a gente ficou com três edições, depois a gente recebeu um convite da prefeitura do Recife, para que a gente contribuísse para fomentar esse carnaval no bairro do Recife, que é o sítio histórico. Então, nos mudamos para o sítio histórico e aí o festival começou a crescer, foi ganhando outras proporções. O que antes era uma coisa muito para a cena local, a gente ampliou para a cena nacional, todas as regiões. A gente olhou muito para a produção do Pará, Bahia e outras regiões do Brasil. Também comecei a olhar para a América Latina, para o continente africano. Então, hoje o Rec-Beat é fruto dessa evolução de olhares. Eu acho que nós [do festival] temos um olhar bastante periférico, me interessa muito o que acontece nas periferias. Não só a periferia urbana aqui do Recife e de outras capitais do Brasil, mas a periferia mesmo de países, de regiões do mundo, do Sul global, aquilo que não está no centro, mas que a gente sabe que tem uma produção e uma proposta muito inovadora, muito impactante, que com o tempo acaba sendo adotada pela indústria. Porque eu entendo que os movimentos periféricos, em todos os sentidos, são determinantes para a construção de movimentos culturais que se tornam universais. Agência Brasil: É meio aquela imagem da antena parabólica fincada no mangue? Gutie: Eu acredito em muito disso, da diversidade, de encontros, de aquela coisa plural, de você ter a tradição com novas tendências, o eletrônico. Por isso, quando a gente fala de uma programação eletrônica, também sempre teve no DNA do festival, assim como a gente coloca um afoxé, um maracatu, ou uma coisa assim, como uma atração, como o Momi Maiga. Isso sempre esteve presente, desde o conceito do Manguebeat, a gente esteve presente muito na cultura brasileira, essa coisa da diversidade está presente no Rec-Beat, porque não tem como a gente não traduzir isso, né? Agência Brasil: É muito interessante o Rec-Beat acontecer no período do Carnaval, tem tudo a ver. Para algumas pessoas, no entanto, pode não parecer óbvio, pode parecer bem diferente realizar um festival no meio de uma festa de dia muito grande. Gutie: Olha, no início, rolavam mais estranhamentos do que hoje, sabe! As pessoas achavam que era um evento invasivo, mas aí foram percebendo que o Rec-Beat não é um evento anti-Carnaval, é bem pelo contrário. A nossa proposta se soma à diversidade do Carnaval, então a gente contribui com uma célula dentro dessa, de todas as propostas que o Carnaval apresenta. Eu acho até quem com o tempo, o Rec-Beat influenciou outros festivais fora daqui e também o Carnaval. Hoje, tem muitos palcos que emulam o Rec-Beat. A gente era um palco, mas com o tempo, a gente acabou, acredito, influenciando esse conceito, de palco, de shows . Eu gosto do Rec-Beat com palco, mas adoro também a tradição do Carnaval de rua, de chão, né? Com as troças, com os blocos, com as agremiações tradicionais. Isso, pra mim, é o verdadeiro Carnaval mesmo.A gente complementa, mas a gente não pode transformar o Carnaval em um grande palco. Agência Brasil: Vocês não estão disputando com o Carnaval. Tem um lugarzinho pra todo mundo e não é disputar com essa ideia do Carnaval, né? Gutie: Sim, eu gosto muito da coisa da tradição, sabe!? Do Carnaval como uma manifestação espontânea das pessoas. É isso que move o Carnaval. O Carnaval já é vivo, tem essa pujança no Brasil todo, é feito pelas pessoas. A gente dá essa contribuição, organiza um pouco a bagunça. A gente recebe, no nosso público, pessoas que vêm de Olinda, que vão para os blocos, para as troças e à noite vêm pro nosso palco. Ou seja, são pessoas integradas ao Carnaval, que estão curtindo o Carnaval. E também o nosso público se renovou muito, se renova. Então, nosso público é bem jovem, que mostra que o pessoal tem um frescor. Fundador do festival Rec-beat, Antonio Gutierrez, o Gutie - Foto: Victor Jucá/Divulgação Agência Brasil: O festival, então, dialoga com novas gerações, né? Gutie: Isso é legal porque você, de certa forma, cria o futuro. Você assegura o futuro quando você tem um público que ainda vai vivenciar muito, não só o Rec-Beat, mas o Carnaval como um todo. Agência Brasil: Falando em público, como é que você vê essa cena de festivais independentes? Gutie: Eu acompanho. A gente tem a Abrafin [Associação Brasileira de Festivais Independentes]. Eu faço parte de uma associação Ibero-Americana, chamada para Desenvolvimento da Indústria da Música Ibero-Americana. Eu frequento muito a convite de festivais e feiras de músicas nacionais e internacionais, faço curadoria. Agora mesmo eu faço parte de um comitê internacional de arte de um evento na Costa do Marfim, nada de Música. Já prestei curadoria no Tenerife, na Colômbia. Eu tenho esse olhar, assim, para todos os lados, acompanho os festivais. E nós vivemos, logo após o pandemia, um boom de festivais. E como toda bolha, acho que agora passou por uma acomodação. Acho que ficaram os festivais mais tradicionais, os que já são uma coisa bem estabelecida, inclusive aqui em Pernambuco. Mas os festivais como o Rec-Beat, que a gente chama de festival independente, têm uma certa dificuldade mesmo de se manter, porque os grandes festivais são meio predatórios, no sentido de atração de recursos. Você vê que uma empresa que poderia entrar em dez festivais pelo Brasil e joga todos os recursos em um só, mais midiático. Então os festivais têm essa dificuldade e o Rec-Beat também, porque é gratuito. Eu só lanço a programação quando a gente tem certeza que temos recursos para fazer. Então isso é outro desafio do festival e não só do Rec-Beat. A maioria dos festivais brasileiros que seguem essa trilha, inclusive os pagos, têm dificuldade. E no Nordeste também, porque existe uma cultura de investimento em patrocínio das empresas muito centralizada no Sudeste. Falta uma visão, acredito, de que existe uma riqueza cultural e propostas de eventos muito interessantes no Nordeste. Acho que passa muito também pela visão do marketing das empresas, das pessoas que estão à frente disso. Tem muita aposta no óbvio e o Rec-Beat não aposta no óbvio e outros festivais não são óbvios. E isso exige um pouco de sensibilidade, exige um pouco de entendimento, um pouco de esforço para quem decide os investimentos. A gente trabalha o ano todo para superar isso e para viabilizar o festival. A gente desenvolve projetos, lei de incentivo, editais, tudo que você imagina, a gente trabalha. A gente fica o ano todo articulando. Agência Brasil: Nesses 30 anos, qual foi o momento de maior perrengue? De desafio para que o festival acontecesse? Gutie: Olha, a gente teve um, acho que em 2015, quando teve aquele momento de impeachment da Dilma. O Brasil virou aquele caos. Veio uma onda na economia, que serviu como desculpa dos investidores. Ali a gente passou um momento difícil, sabe? Depois a gente foi se organizando e hoje a gente não depende apenas de um patrocínio. A gente tem a Prefeitura do Recife, que é nosso maior patrocinador, mas já temos também o Governo do Estado, através da Fundarpe [Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco], temos a Lei Rouanet, a Uninassau, que é uma universidade, o Banco do Nordeste do Brasil. Nós temos articulação com o Iber Músicas, que é uma instituição ibero-americana que financia a circulação de artistas. Nós temos o Consulado da Alemanha… então a gente articula em várias frentes. Então, o momento foi bem complicado nos anos 2015, 2016. Mas a gente também foi reagindo e mantendo o festival. Orgulho nosso é nunca ter falhado, a gente nunca deixou de acontecer, exceto na pandemia, foi apenas um ano. Então, nesse tempo todo o festival tem conseguido permanecer vibrante. Agência Brasil: Quais os momentos mais intensos do festival? A situação mais inusitada com artistas, com o público? Gutie: A gente teve o show de Mudhoney, quando o festival ocupava uma rua menor [a rua da Moeda]. A gente era considerado um festival pequeno e não tinha uma estrutura de segurança profissional, como nós temos hoje. Nesse dia, o povo conseguiu invadir muito o palco, subir no palco e coisa e tal, festejando com o Mudhoney. Na sequência, veio uma banda de punk rock , que é o Devotos, aí eu pensei: nossa, agora é que a galera vai derrubar esses troços aqui.Daí eu falei com o [vocalista] Canibal: "Canibal, olha essa sensação. O que a gente vai fazer?" Ele respondeu: deixa comigo. Ele foi lá no palco e disse ao público: "Galera, é o seguinte, vocês ficam aí embaixo, na plateia; e a banda fica aqui, no palco, ninguém sobe aqui!" E não deu outra. Mas eu achei que ia dar em confusão. Teve um ano que teve uma tempestade na cidade, cara, que todos os palcos pararam, menos o Rec-Beat, porque a gente conseguiu manter o festival. A mesa de som parou, a banda tocando e a gente abrindo a mesa e secando com um secador de cabelo. Quando a gente fechou a mesa, a banda acabou de tocar e ela já estava pronta para outra apresentação. Tem uns sufocos, assim… Agência Brasil: Assim que acaba o festival, você já começa a pensar na próxima edição ou dá aquele tempinho para ir digerindo as coisas? Gutie: É um processo contínuo, a gente vai pensando no festival o tempo todo. Tem muita coisa que a gente tenta, imagina para acontecer e não acontece, fica para o próximo ano. E até queria conseguir ter mais certeza das coisas. Como falei no início da nossa conversa, a questão mesmo do financiamento. Mas eu penso o festival o tempo todo, eu tenho lá os nomes que eu gosto, que fico acompanhando e fora o Rec-Beat, a gente tem a nossa produtora, tem outros eventos. A gente tem o festival de cinema, de animação, que é incrível e está gigante também e que nos obriga a pensar nessa outra linguagem que é o cinema de animação. Esse ano a gente está lançando o festival de música percussiva. É inédito também. É em março, e está bem em cima. Tem a possibilidade de a gente fazer em outras cidades. A gente também tem a possibilidade de fazer o Rec-Beat em outras cidades, isso tudo meio que dentro de uma comemoração dos 30 anos. Agência Brasil: Quando você olha para esses 30 anos, o que você pensa? O que ficou para você? Gutie: Olha, realmente 30 anos é muito. Eu não imaginava, porque a gente vai construindo edição por edição. Mas, assim, o que eu recebo do feedback das pessoas que acompanham o Rec-Beat, as pessoas que são mais jovens, é a maneira que o festival surpreende, o impacto que causa nas pessoas. Isso que eu acho bacana. O que eu mais curto no Rec-Beat é exatamente isso: a pessoa vai para ver o nome que ela conhece e acaba se deparando com outras opções que causam surpresa, que são coisas transformadoras. Eu acho que essa é uma função também de festivais como o Rec-Beat, que é você apresentar novas opções para as pessoas, para mostrar que existe vida além da mídia massiva, além dos algoritmos. E eu acho que a verdadeira missão no festival, é essa: apresentar opções, propostas de várias regiões, de vários locais. Ou seja, mostrar para as pessoas que existem milhares de opções para se conhecer, para que as pessoas também acreditem, apostem, se joguem nessa ideia do novo, sabe!? É lógico que a tradição é importantíssima também e é legal manter. Mas não ter medo, não ter medo do desafio, não ter medo do novo, sabe!? O novo sempre vem!
- Novidades de Gabi Lamas, Aísha Kali, Pedro Pondé e Marissol Mwaba
O duo Deekapz. Foto: Bruna Sussekind/Divulgação Bloco 1 Bloco 2 Bloco 3 Bloco 4 Guilherme Miquelutti O SomTemporâneo está no ar há mais de dez anos te mostrando que não param de surgir bons novos talentos no cenário musical brasileiro. Nesta edição, os destaques entre os artistas que estão em começo de carreira são Pedro Pondé, John, Gabriel Silveira, Marissol Mwaba, Mandinga Beat, Aísha Kali, Hiran, Clara Tannure, Gabi Lamas, João Merín, Enme, Deekapz e Jup do Bairro . Confira as músicas tocadas no programa: 1. Pedro Pondé - Cê Mexeu Comigo 2. John e Luiza Dutra - Último Samba 3. Gabriel Silveira e Raidol - Sentimento da Alma 4. Marissol Mwaba, Bebé Salvego e Bruna Black - Convecta 5. Mandinga Beat e MELO-T - Kafofo 6. Aísha Kali e Tuyo - Certas Palavras 7. Hiran - Ariano Franco 8. Clara Tannure, Nannauê e Alana Fox - Livre Amor 9. Gabi Lamas - Bibelô 10. João Merín e Zé Atunbí - O Beijo, o Toque 11. Enme - Agarradinho 12. Deekapz e Fat Family - Dance 13. Jup do Bairro - E Se Não Fosse o Sonho Ouça na Rádio Nove O SomTemporâneo vai ao ar pela Rádio Nove domingo às 11h e segunda às 19h.
- O único disco do Bango e a trajetória de Os Canibais
LP Bango (1971). Imagem: Reprodução O Rock Brasil 70 apresenta um dos discos mais cultuados e raros do rock brasileiro dos anos 1970: o álbum Bango (1971), da banda homônima, mas também conhecida como Os Canibais . Vindos do circuito de bailes da Jovem Guarda, Os Canibais tinham forte ligação com o rock internacional dos anos 60, com um repertório predominantemente de versões de clássicos do pop e do rock anglo-americano, como as adaptações de Time Won’t Let Me (The Outsiders), Happy Together (The Turtles) e Everything You Do (The Searchers). A banda passou por uma transformação radical ao adotar o nome Bango , incorporando elementos de garage rock, psicodelia e hard rock , em sintonia com o som pesado que começava a ganhar força no Brasil e no exterior. O disco já deixa clara a mudança de rumo da banda: guitarras com fuzz, órgão marcante e uma sonoridade que dialoga com o rock pesado e psicodélico do início dos anos 70. A banda alterna momentos de peso, passagens introspectivas e trechos instrumentais, reforçando o status cult do álbum entre colecionadores e pesquisadores do rock nacional. O programa apresenta o disco na íntegra, além de um terceiro bloco com versões e gravações posteriores que ajudam a entender a evolução musical do grupo ao longo das décadas. Hoje, Bango é considerado um registro essencial do underground brasileiro , representando a transição entre a estética da Jovem Guarda e a liberdade criativa que marcou o rock nacional nos anos 1970. Músicas tocadas no Rock Brasil 70: LP Bango (1971) Inferno no Mundo Mas Senti Rollin’ Like a Boat Motor Maravilha Marta, Zéca, o Padre, o Prefeito, o Doutor e Eu Rock Dream Geninha Only Vou Caminhar Ode to Billy Os Canibais Garota Teimosa ( Time Won’t Let Me) Quase Fico Nu ( Everything You Do ) Felizes Juntinhos ( Happy Together ) Você Não Vai Savoy Truffle – cover dos Beatles , gravado em 2008 com participação de Renato Rocha (Detonautas) Ouça na Rádio Nove O Rock Brasil 70 vai ao ar pela Rádio Nove no domingo às 12h e terça às 19h.












